segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Mushrooms

Para muitos esse post pode parecer o cúmulo da esquizofrenia ou abuso de cogumelos, mas é o tipo de coisa que sempre passa em minha cabeça antes de dormir. Acho que não sou a única descontente com a maneira como as coisas simplesmente SÃO.

(Escrito em 07/01/2011).

Ontem após sair do banho me deparei com uma estria no quadril refletida no espelho e pensei, mas que merda! Vou ter que conviver com essa porcariazinha no meu corpo até o fim dos meus dias! Sabe, eu queria ser física, astrônoma, designer, bióloga, veterinária... Queria ter meu nome na história como uma grande contribuição para a medicina, ou uma grande descoberta qualquer. Mas aí a frustração toma conta, porque eu só tenho essa vida e não posso ser\fazer tudo isso.

Por acaso você já pensou como seria legal se você fosse dormir hoje como um homem, advogado, moreno... E amanhã acordasse uma pessoa completamente diferente em sexo e aparência?  Digo, porque o mundo foi ditado assim? Eu queria pelo menos passar um dia da minha vida como um animal diferente, só pra ver como é. Porque você tem que nascer com uma determinada forma física e escolher somente um rumo pra sua vida? Eu tenho muita coisa a adquirir e deixar ao mundo, mas sei que meus desejos não cabem nessa vida.

Acho que um desejo universal que todos compartilhamos é o de poder voar. Quem aqui não sonha quase toda noite que é capaz dessa façanha? Eu já fui desde os primórdios de uma grande explosão até a minha morte, em sonhos. E o que eu sinto em comum a todos eles, é o modo como me sinto livre, leve, volátil. Nessa espécie de sonho paralelo com a realidade, eu criei um mundo perfeito. Criei as ações e reações, minhas regras perfeitas.

No meu mundo, nunca ninguém sequer ouviu falar em cadeia alimentar. Pode-se pintar as nuvens e o céu da cor que quiser, assim como a água pode transformar-se em gelatina. Nenhuma pessoa nem animal precisa tirar proveito da morte do outro. Não precisamos de casa nem de abrigo, pois os fenômenos da natureza não nos fazem mal e não temos nenhuma nudez a esconder.

Se você correr em direção a um precipício, seria como um desenho animado infantil. A queda não existe. A gravidade não te impede de cintilar junto com as estrelas. Não há limitações, dores, divisões. Você pode ser o que quiser, a qualquer hora. Pode percorrer o mundo dançando na forma de vento, como também pode desfrutar do mais profundo das águas.

Outra coisa que não me conformo... Por que motivo a vida humana tem que ser tão frágil? Digo, porque todos os sentimentos, planos, ambições de uma pessoa, um médico, um cientista... Porque toda a vida de uma pessoa tem que ir embora por causa de uma simples falta de ar ou por entrar em contato com o fogo? Será mesmo que esse contato é mais forte do que toda a força vital de alguém? Pra mim não.

Já me disseram que eu penso demais. Imagino demais. Crio hipóteses e possibilidades demais. Concordo que isso me atrapalha as vezes, quando tenho que lidar com situações simples acabo as tornando muito mais complexas do que são realmente. Mas eu acho que todo mundo deveria tentar criar um mundo só pra si. Um mundo pra recorrer naquelas horas em que, o teu pai ou um familiar te desamparar. Quando as coisas derem errado, a melhor forma de encarar a realidade é inventá-la na sua cabeça.

Você queria ter nascido mulher? Seja uma mulher.
Queria ser um animal? Queria ter dinheiro? Queria que não existisse dinheiro?
Queria um namorado, uma família, um filho...? Você quer ser Deus?

ENTÃO SEJA.

O problema é que assim você começa a agir de acordo com idéias que você inventa e sente saudade de coisas que nunca aconteceram! Eu não me importaria de deixar essa vida, na forma humana. Pra mim a hora que deito na cama e fecho os olhos é a minha realidade, e não esse mundo podre em que vivemos. A gravidade te impede de conhecer outros planetas? Então olhe pra sua mente, te apresento um lugar onde ela não existe.

Eu não uso drogas.

2 comentários:

JFS disse...

Assinado:
Brenda

Marq disse...

Sou novo no seu blog. Mas, com certeza, você tem talento! Gosto principalmente do seu ritmo de escrita. Bem marcado, quase falado! Vou ler mais!